Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

sexta-feira, 25 de março de 2016

O progressivo a mais reverenciada e a mais odiada forma de rock dos anos 70


O progressivo foi, ao mesmo tempo, a mais reverenciada e a mais odiada forma de rock dos anos 70. A reverência vinha da noção de que o tipo de música criado por Elvis e Chuck Berry estava deixando de ser primitivo e movido pelo instinto para se tornar complexo e respeitável, em termos intelectuais.
Em uma palavra, o rock finalmente ‘evoluía’. A ponto de aspirar, em alguns casos, a ser tão importante quanto uma obra sinfônica.
Os Beatles deram início a essa evolução, quando incorporaram elementos de música erudita em seus álbuns, a partir de ‘Rubber Soul’ (1965). Ficou provado que era possível, para uma banda pop, criar um som que fosse tão estimulante para os pés quanto para o cérebro.
Para isso, os músicos iam na direção contrária do rock and roll original. Pegaram a deixa de Bob Dylan e transformaram as letras de rock em plataformas para ideias, e não para descrições de relacionamentos juvenis.
As canções, estruturalmente, tinham de acompanhar a complexidade das letras. Três minutos de duração já não eram suficiente para isso. Elas começaram a ultrapassar a barreira dos 10 minutos e depois passaram a ocupar lados inteiros dos discos de vinil. E quando o Jethro Tull lançou ‘Thick as a Brick’, em 1972, o álbum inteiro consistia de uma única faixa.
A implicação óbvia desse delírio autoindulgente de grandeza é que qualquer músico disposto a tocar numa banda de ‘prog rock’ precisava ser, na prática, um virtuose para garantir - principalmente ao vivo – a competência técnica necessária exigida por uma sinfonia eletrônica de 20 minutos ou mais de duração.

Esse virtuosismo, além de tudo, não se resumia aos tradicionais baixo, guitarra e bateria. O progressivo tinha predileção especial por instrumentos inusitados no rock, como o mellotron (um teclado que simula sons de orquestras e corais), a flauta transversal, as guitarras de dois braços (com 6 e 12 cordas) e os sintetizadores analógicos, como o cultuado Moog.
Toda essa parafernália num palco era certeza de um grande espetáculo visual, ainda mais se fosse combinada com jogos de luz espetaculares e cenários psicodélicos. O problema é que também era virtualmente inacessível, em todos os sentidos, para qualquer garoto pobre que, como o ‘Street Fighting Man’ dos Stones, só quisesse tocar numa banda de rock and roll.
Foi para salvar esse garoto que os Sex Pistols vieram ao mundo. Uma das camisetas mais célebres usadas pela banda, em 1976/77, tinha estampada uma foto do Pink Floyd com a frase “I Hate” escrita à mão, logo acima.
Da noite par ao dia, os Pistols e toda a brigada punk tornaram obsoleto o elaborado conceito por trás das bandas ‘prog’. O esnobismo estético que elas representavam já tinha sido abalado quando os Ramones apareceram tocando todo o seu repertório de 10 ou 12 músicas em menos tempo do que durava uma suíte do Yes ou do Genesis, com letras propositalmente primárias, no nível “hey ho let’s go”.

O rock progressivo foi aniquilado comercialmente, assim como um herdeiro do punk, o ‘grunge’, varreria do mapa, anos mais tarde, as bandas de ‘hair metal’. Depois de viver seu breve momento de glória, entre 1966 e 1976, o ‘prog’ voltou a ser venerado por bandas populares na cena alternativa, como o Ozric Tentacles, nos anos 80/90, e o Porcupine Tree, dos anos 90 até hoje.
O que durante algum tempo vitaminou o alcance nada desprezível do rock progressivo – um fenômeno tipicamente britânico - foi sua enorme influência sobre músicos de outros países. E não só da Europa.
No Brasil, quase todo o rock que se produziu na primeira metade da década de 70 vinha com o orgulhoso carimbo de “progressivo”. Os Mutantes encerraram a carreira ajustando a sintonia do seu psicodelismo na direção de Yes e Emerson Lake and Palmer. E até Santos deu sua contribuição ao gênero com o cultuado – e subestimado - Recordando o Vale das Maçãs.
O ‘prog’ não desapareceu, mas se renovou em contato com o pop (Muse), o alt-rock (Mars Volta), o psicodelismo (Porcupine Tree) e o gótico (Anathema). Não há mais inovadores alucinados como Keith Emerson esfaqueando teclados Hammond com adagas de verdade. Mas enquanto houver aparelhos de som Bang & Olufsen, fones de ouvido Sennheiser e reedições em vinil de 180 gramas de Brain Salad Surgery com a capa original, haverá ‘prog rock’.
fonte: www.atribuna.com
Os 20 álbuns mais progressivos do rock
 1. King Crimson: In the Court of the Crimson King (1969)
 2. Yes: Tales from Topographic Oceans (1973)
 3. Emerson, Lake and Palmer: Brain Salad Surgery (1973)
 4. Genesis: Foxtrot (1972)
 5. Jethro Tull: Thick as a Brick (1972)
 6. Pink Floyd: Wish You Were Here (1975)
 7. Can: Future Days (1973)
 8. Van Der Graaf Generator: Still Life (1976)
 9. Gentle Giant: In a Glass House (1973)
 10. Tangerine Dream: Stratosfear (1976)
 11. Focus: Moving Waves (1971)
 12. Moody Blues: Every Good Boy Deserves Favour (1971)
 13. Mike Oldfield: Incantations (1978)
 14. Ozric Tentacles: Strangeitude (1991)
 15. Curved Air: Air Conditioning (1970)
 16. Soft Machine: Third (1970)
 17. Porcupine Tree: Lightbulb Sun (2000)
 18. Rush: Hemispheres (1978)
 19. Renaissance: Ashes are Burning (1973)
 20. The Mars Volta - Frances the Mute (2005)

Nenhum comentário: